terça-feira, 22 de setembro de 2015

“Estamos condenados a civilização: ou progredimos ou desaparecemos”.


Engana-se quem acha que a atual crise econômica, na qual os mercados do mundo todo estão imersos, é passageira e de fácil superação. Desde o estouro da bolha especulativa no mercado imobiliário dos EUA o capitalismo mundial não vai bem das pernas e, incapaz de lidar com suas próprias contradições internas, corrói as condições de vida da classe trabalhadora para garantir o acúmulo de riqueza nas mãos dos banqueiros e patrões.
No Brasil, a situação não é diferente do resto do mundo. Apesar de atingir nosso país com certo atraso em relação aos EUA e a Europa, a crise chegou e afeta milhões de brasileiros.
Porém, diferentemente de outras crises que encontravam um país frágil e quebrado, esta atual chega num momento ímpar de nossa história, fruto de políticas progressistas e desenvolvimentistas adotadas a partir de 2003, quando Lula assumiu a presidência.
Nosso país atravessa atualmente uma das maiores crises da história do capitalismo com reservas internacionais capazes de garantir a nossa saúde financeira, um mercado interno grande e robusto que garante a circulação de mercadorias, bancos e empresas estatais que  geram crédito, empregos e capacidade de investimento; além disso, nosso país passou recentemente pela maior ascensão social de sua história, tirando mais de 20 milhões de pessoas da miséria e injetando na classe média mais 30 milhões de pessoas. Como consequência, pela primeira vez na história brasileira, não estamos mais no mapa da fome da ONU.
Essas conquistas precisam ser preservadas e aprofundadas no futuro, abrindo caminho para um país menos desigual, mais justo e mais democrático. Porém, elas estão seriamente ameaçadas pela atual crise. As atuais medidas de ajuste fiscal do governo federal atacam diretamente os trabalhadores e os setores populares do país, aprofundam a recessão e beneficiam apenas os banqueiros e especuladores do mercado financeiro, reduzindo a capacidade do Estado investir.
A saída, contudo, não está na agenda proposta pela direita, que tem no impeachment da presidente Dilma sua grande bandeira, o que abriria caminho para reverter as conquistas dos últimos doze anos com medidas de austeridade ainda mais duras e ainda fragilizar nossa jovem democracia.
De fato, para garantir as conquistas sociais do último período e enfrentar a crise sem jogar nas costas dos trabalhadores a conta pela crise, é necessário que a presidenta Dilma aplique a política econômica que consta em seu programa de governo, sem ceder às pressões do mercado financeiro e da oposição encabeçada pelo PSDB. É hora de aproveitar a crise e a realizar as grandes reformas estruturais que abram caminhar para transformar nossa sociedade: reforma política, reforma urbana e agrária, reformas dos meios de comunicação e uma reforma tributária que taxe as grandes fortunas e patrimônios.
Acreditar que trocando a presidência da república, abrindo caminho para o que há de mais retrógrado na política brasileira, seria a melhor forma de enfrentar o atual momento é servir como massa de manobra daqueles que sempre se beneficiaram da miséria e da pobreza da maioria da população. Nós, da classe trabalhadora, deveríamos estar nas ruas exigindo que a Dilma realizasse as reformas democráticas e populares destacadas acima e implementasse uma política econômica não ortodoxa como atualmente, tirando do comando do Ministério da Fazenda um rato dos banqueiros como é Joaquim Levy.
Por fim, mas não menos importante, é necessário nesse momento de crise que estejamos atentos ao crescimento do fascismo disfarçado. Em momentos históricos como o atual, é comum a escalada do ódio e da intolerância como soluções aos problemas trazidos pelas contradições do sistema capitalista. Os ataques seletivos e violentos ao PT, aos partidos de esquerda e aos movimentos sociais e populares são um termômetro do tipo de discurso propagado na sociedade pela mídia e pela direita raivosa. Mesmo em situações adversas, o respeito e o diálogo devem sempre ser a marca da democracia, ao contrário das ofensas e ataques físicos como ocorrem atualmente. Devemos lembrar que a democracia ainda é frágil e pouca interessa a quem sempre pôde manipular a população através da tela da TV.
Seria melhor, neste momento difícil, que a classe trabalhadora compreendesse que no capitalismo ela sempre será a bucha de canhão com a qual a burguesia supera suas próprias crises; seria melhor lembrarmos que não temos nada a perde no capitalismo, a não ser nossos próprios grilhões; seria melhor acreditarmos que um outro mundo é possível, um mundo socialista e livre de crises, de miséria e de guerras.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Na contramão do futuro

~Texto Publicado no jornal A Tribuna na edição de 3 de junho de 2015~

Apesar de todas as evidências e experiências concretas mostrarem os benefícios individuais, coletivos e urbanos da utilização de meios de transporte não motorizados (como as bicicletas) sobre os motorizados (carros e motos), ainda há quem combata a presença das ciclovias nas vias urbanas. Pior, há ainda quem queira destruir as existentes.
Antes de mais nada, vale destacar que a mobilidade urbana é uma das qualidades mais importantes para o desenvolvimento sustentável de uma cidade (sustentabilidade entendida em toda sua abrangência: ambiental, social, econômica, cultural e urbanística). Promover a mobilidade urbana é garantir espaços adequados para que pedestres e os mais variados meios de transporte possam circular com segurança e dignidade.

Mais do que isso, promover efetivamente a mobilidade urbana é priorizar meios de transporte individuais não motorizados sobre os motorizados, como está colocado na Política Nacional de Mobilidade Urbana, instituída pela presidenta Dilma em janeiro de 2012. Nesse mesmo ano, Amparo já registrava média de um carro para cada 1,5 habitantes, com trânsito sobrecarregado no centro da cidade em horários de pico. Sem dúvida, não será asfaltando nem recapeando a cidade toda que esse problema será enfrentado, pelo contrário. Atuando dessa forma, a gestão municipal incentiva muito mais os veículos motorizados do que meios alternativos para o transporte, o que agravará o problema.
Vale lembrar que o incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte para as tarefas diárias, e não só como meio de recreação para os momentos vagos, traz inúmeros benefícios para a cidade como um todo.
Construir ciclovias significa garantir mais segurança, pois as bicicletas são menos perigosas do que carros e motos uma vez que seu limite de velocidade é menor. Ciclovias promovem a ocupação do espaço público, tornando-o espaço de convivência e não só de passagem. Mais do que isso, a presença da ciclovia é benéfica para o comércio, pois ciclistas são clientes potenciais que passam em baixa velocidade e que não exigem grandes áreas de estacionamento, o que permite que possam observar uma vitrine e entrar em uma loja.
Os meios não motorizados, como a bicicleta, skate e patins, são também ambientalmente mais saudáveis, não exalam poluentes na atmosfera e melhoram a qualidade de vida daqueles que frequentam o centro da cidade. Segundo pesquisa do Instituto Saúde e Sustentabilidade, em 16 anos morrerão 256 mil pessoas no estado de São Paulo vítimas da poluição atmosférica, sendo que 3/4 dessas mortes ocorrerão no interior do estado. Falando em Saúde, incentivar o uso de bicicletas é incentivar hábitos saudáveis, reduzindo o sedentarismos e prevenindo doenças crônicas, o que gera economia nos gastos públicos com tratamentos e remédios.
Além disso, a bicicleta também gera economia para o cidadão, uma vez que seu custo de manutenção é muito menor do que o custo de veículos motorizados, o que fomenta a economia e o comércio. 
Por tudo isso, e mais um pouco, a implantação de ciclovias no centro da cidade e ao longo do Parque Linear foi uma grande conquista para a cidade e sua população. A construção de ciclovias é o primeiro passo para incentivar as pessoas a usarem a bicicleta, e outros meios de transporte individual não motorizados, em suas tarefas pela cidade. Em praticamente todas as experiências bem sucedidas ao redor do mundo de promoção e incentivo do uso de meios de transporte alternativos, a construção de ciclovias foi um passo primordial e imprescindível
Diante dessa realidade, fica claro que a proposta de destruição da ciclovia na Rua XV de Novembro não visa promover a mobilidade urbana no centro da cidade, pois agride uma peça fundamental para a mobilidade. O que está por trás, na verdade, é a tentativa de apagar os avanços e transformações pelos quais a cidade passou nas gestões petistas de César Pagan e Paulo Miotta. De fato, parece ser o único projeto de gestão dos atuais aloprados que governam Amparo.
Portanto, defender as ciclovias (e por consequência, uma política de mobilidade urbana de verdade) é defender um modelo de cidade bem diferente daquele que a atual administração do prefeito Jacob e seus aliados (entre eles, o vereador que propôs a destruição da ciclovia na Rua XV de Novembro) estão implementando em Amparo. Queremos uma Amparo democrática, inclusiva, humana, sustentável e apontando para o futuro. Não uma cidade que vive de passado e depende dos velhos coronéis que sempre a usurparam. 

Infelizmente, estamos discutindo a manutenção de uma ciclovia ao invés de discutir a construção de novas pela cidade. Estamos, basicamente, na contramão do futuro.


terça-feira, 26 de maio de 2015

PSDB, o inimigo número 1 da Educação.

" Se a pessoa não consegue produzir, coitado, vai ser professor" disse uma vez o ex-presidente FHC ainda no exercício do seu mandato. Ao longo dos 8 anos de presidência de FHC, o Brasil perdeu um terço dos seus mestres e doutores no ensino público superior, nenhuma nova universidade federal foi criada e o país passou pelo maior processo de privatização do ensino de sua história.
Em menor ou maior grau, essa sempre foi a forma como a direita brasileira tratou a Educação Pública, em especial o maior representante da direita brasileira, o PSDB. Privatizações, falta de investimento público, desvalorização do professor e truculência para lidar com os problemas educacionais são as principais marcas do bico tucano na Educação. 
Recentemente, o Brasil todo ficou chocado com o massacre contra professores em greve promovido pelo governo tucano de Beto Richa no Paraná, resultando em mais de 200 profissionais da educação feridos, muitos gravemente. Foi o maior ato de violência contra manifestantes da história recente do nosso país, com direito a bombas sendo arremessadas de helicópteros sobre a cabeça dos professores.
Em São Paulo, os professores da rede pública estadual estão em greve desde o dia 13 de março, reivindicando melhores salários, melhores condições de trabalho e mais investimentos na Educação. No estado mais rico da federação, existem registros de salas de aula com até 85 alunos, fruto do fechamento de mais de 3000 salas de aula por parte do governador tucano Geraldo Alckmin no início deste ano; há escolas sem inspetores de alunos, sem técnicos de informática, sem materiais didáticos e produtos básicos de higiene, como papel higiênico e sabonete. Apesar de não ter reprimido com a mesma violência os professores em greve como no Paraná, Geraldo Alckmin tem cortado o ponto dos grevistas e postergado cada vez mais a negociação, o que afeta diretamente o bolso de pais e mães de família que dedicam suas vidas para a Educação de nossas crianças. Qualquer professor da rede pública de São Paulo conhece de longa data a forma como o tucanato paulista trata seus profissionais da educação: com descaso, humilhação, corte de verbas e até com cassetetes e bombas. 
No governo tucano de Amparo, representado pelo prefeito Jacob, a forma de lidar com o professor não é diferente. O atual prefeito se recusou a dar aumento acima do aumento do piso concedido pelo governo federal e há registros de falta de materiais básicos nas escolas municipais, como produtos de escritório, de limpeza e higiene. A forma do Jacob lidar com esses problemas também segue o modus operandi tucano, pois quando professores da rede municipal de ensino se manifestaram neste ano por salários e melhores condições nas escolas municipais, o prefeito sequer recebeu estes servidores. 
Por fim, vale destacar que o governo federal, nos últimos 12 anos, investiu na Educação como nunca antes nesse país: Prouni, Reuni, Fies, política de cotas, Ciência sem Fronteiras, 10% do PIB para educação até 2020, expansão da rede federal de ensino superior e técnico são algumas das medidas que ajudaram a dobrar o números de estudantes no ensino superior no Brasil desde 2003. Mais do que isso, em 2008, o governo Lula sancionou a Lei do Piso Nacional da Educação, garantindo um mínimo digno para professores de todo Brasil, sendo que neste ano a presidenta Dilma garantiu o maior aumento do piso da história, 13,01%. Vemos, então, há diferenças muito gritantes entre um governo popular e um governo tucano quando se trata de Educação. 
Por tudo o colocado acima e mais um pouco (por falta de espaço, não foi aqui elencado) a principal força da direita nacional, o PSDB, ganhou a pecha de inimigo número um dos professores e da Educação por todas as experiências de governo que executaram. Um tucano decente, com o mínimo de lisura, teria vergonha em falar de Educação e valorização do funcionalismo público.

 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Amparo 186 anos: pensar no futuro!

Neste 8 de Abril a cidade de Amparo faz aniversário, completando 186 anos. Nasceu apenas 7 anos após a independência do Brasil, num país ainda jovem e carregado de heranças do período colonial. Hoje a realidade é bem diferente daqueles dias, não somos mais uma cidade que tem como motor do seu desenvolvimento a agricultura. Amparo se urbanizou, indústrias se estabeleceram aqui, o comércio cresceu e milhares de turistas nos visitam todos os anos; mais de 3/4 de nossa população mora na área urbana atualmente e mais da metade dos nossos trabalhadores estão empregados na indústria.
Essas transformações pelas quais Amparo passou foram mais intensas nas últimas décadas, o que trouxe muitos avanços mas também muitos desafios. Aproveitar a data comemorativa do nascimento da cidade para refletirmos sobre seu futuro é um desafio colocado para o conjunto dos cidadãos e cidadãs amparenses, uma vez que partimos do princípio de que uma cidade democrática e desenvolvida deve ser pensada e construída coletivamente.
A cidade cresce atualmente na direção oeste, ou seja, acompanhando a localização das grandes empresas que hoje estão instaladas aqui. Cresce nos bairros populares, compostos majoritariamente por trabalhadores e trabalhadoras que almejam melhores condições de vida, serviços públicos de qualidade e equipamentos urbanos necessários em suas regiões.
Na última década o crescimento destes bairros populares foi razoavelmente acompanhado pela instalação de equipamentos e serviços públicos nas áreas onde estes se faziam ausentes. Postos de saúde, escolas e creches municipais, serviços de saneamento básico e iluminação pública, são algumas das necessidades colocadas pelo desenvolvimento e crescimento da cidade, as quais foram garantidas (excetuando poucos problemas isolados) no último período graças a realização de um planejamento urbano participativo, democrático e voltado para o atendimento das necessidades concretas da cidade, sem privilegiar regiões ou pessoas. 
Tal planejamento garantiu que Amparo ganhasse o prêmio de 1º colocado nacional em desenvolvimento municipal pelo índice Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) no ano de 2010, o que significa que nossa cidade se destacou na geração de Emprego e Renda e na garantia de Educação Pública Municipal e Saúde Pública Municipal. 
Estas conquistas, porém, pode ser severamente afetadas no futuro da cidade. Um Projeto de Lei de autoria do atual prefeito Jacob foi aprovado no ano passado pela Câmara Municipal ampliando em 40% a área urbana da cidade, que terá início no Bairro de Duas Pontes, passando pelo distrito de Arcadas, pela área central de Amparo e terminando no distrito de Três Pontes. 
Isso significa novos loteamentos, novos bairros, mais pessoas e áreas necessitando de serviços e investimentos públicos municipais, numa proporção 40% maior do que a realidade que hoje temos na cidade. Longe de não querer o crescimento da cidade ou de querer fazer discurso provinciano, apenas questiono se a atual administração da Prefeitura Municipal será capaz de realizar um planejamento adequado para esse aumento considerável em nossa área urbana, garantindo unidades de saúde, escolas e creches municipais, serviços de saneamento, espaços de lazer e esporte além de políticas públicas municipais visando garantir dignidade cidadã a essas pessoas. 
Hoje, existem áreas da cidade que convivem com a escuridão, com postes e lâmpadas públicas apagadas, áreas públicas municipais estão sem manutenção, escolas convivem com falta de materiais básicos e os postos de saúde com a falta de remédios, além da falta de médicos; a cidade vive a maior crise de Dengue da sua história pela falta de planejamento na saúde municipal e pela omissão da atual administração, além de que obras da última gestão estão abandonadas ou negligenciadas (as luzes do parque linear estão apagadas, bem como acontece com as luzes do Mercadão frequentemente e com os postes com lâmpadas de LED da Av. Bernardino de Campos). 
Como então acreditar que a atual administração será capaz de garantir um crescimento nessa proporção da parte urbana do município com qualidade de vida e dignidade de acesso a serviços e instrumentos municipais básicos? Fica difícil não é?
Não é a intenção profetizar um futuro catastrófico para a cidade de Amparo em pleno mês em que completa 186 anos. Contudo, se faz necessário encarar firmemente o futuro que está colocado para nossa cidade, olhando para as conquistas do passado. Pensar e planejar a cidade devem ser atos coletivos se quisermos uma cidade democrática e de todos, ainda mais em uma conjuntura tão difícil. É urgente que a população participe dos rumos da cidade, seja pelos meios institucionais (conselhos, audiências públicas, sessões da câmara municipal, etc.), por meios populares (movimentos sociais, mobilizações, protestos, passeatas, etc.) e pelo meio eleitoral, o qual infelizmente precisa aguardar até ano que vem...


quinta-feira, 26 de março de 2015

Prefeitura Omite casos de Dengue em Amparo

Assim como pasta de dente, shampoo e sabonete, o repelente contra mosquitos virou item básico em toda residência amparense. Nossa cidade passa atualmente por um grande crise na Saúde Pública Municipal, talvez a maior de sua história. A quantidade de casos confirmados já equivale a praticamente cinco epidemias (mais de 1000 casos). Nunca antes em nossa história chegamos a índices tão alarmantes.
Nesta situação, toda a população precisa se esforçar no combate aos focos de reprodução do mosquito transmissor da dengue (o Aedes Aegypti), vasculhando suas residências em busca de objetos que possam armazenar água parada. 
Porém, para que estes esforços domésticos tivessem sido tomados com maior antecedência e talvez evitado o atual estado epidêmico em nosso município, a Prefeitura Municipal deveria ter informado e conscientizado a população sobre a situação dos casos de dengue em Amparo ainda no final do ano passado. 
Acontece que a atual administração municipal subfaturou os números relativos a dengue em nota informativa no Jornal Oficial da cidade. Na edição do dia 19 de setembro de 2014, página 23, a Prefeitura de Amparo afirma que entre 2013 e 2014 foram registrados 30 casos de dengue quando na verdade foram registrados mais de 100 casos apenas em abril do mesmo ano de 2014, num total de 196 casos ao longo do último ano. Estes números são muito maiores do que nossa média histórica da doença e já seriam suficientes para que ações mais efetivas no combate ao mosquito fossem tomadas ainda no ano passado.
Omitir o verdadeiro quadro de casos da doença na cidade, além de ser uma atitude criminosa, contribui para que o combate doméstico e individual seja comprometido uma vez que gera certo conforto entre as pessoas ao se afirmar que os casos estão sob controle quando não estão. Ou seja, o problema que enfrentamos hoje em nossa cidade é também fruto da omissão ainda do ano passado por parte da Prefeitura Municipal. 
Cabe lembrar que em Limeira o Ministério Público afastou o Secretário de Saúde da cidade por entender que houve negligência no controle dos casos de dengue. Ou seja, a dengue é sim uma questão de Saúde Pública. Em Amparo tal medida talvez não seja efetuada pois sequer Secretário de Saúde temos na cidade; o atual secretário interino de saúde, Mário Auler, não tem qualquer experiência ou conhecimento técnico na área para enfrentar a altura a atual crise. 
Algo anda muito mal na Prefeitura de Amparo e, com certeza, não é culpa somente do mosquito da dengue. Talvez tenha a ver com a mosca azul do poder... 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

7 de setembro em Amparo na luta por Transporte Público de qualidade: Grito dos Excluídos 2013!

Juventude que Ousa Lutar Constrói Poder Popular
(Grito dos Excluídos 2013)
*Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/432881986828917/

Quem tá na linha de frente
Não pode amarelar
O sorriso inocente
Das crianças de lá” (Criolo)



Enormes manifestações sacudiram o país inteiro no último mês de junho, num primeiro momento organizadas pelo Movimento Passe Livre em SP e, num segundo momento, assumindo pautas difusas e contraditórias. A ausência de organizações e entidades na direção dos protestos, fez com que as pessoas fossem para as ruas sem um motivo de consenso, com reivindicações difusas e contraditórias.
Mesmo assim, os movimentos que tomaram espontaneamente as ruas do país em junho foram importantes e significativos para que muitos setores (especialmente jovens), antes afastados de temas políticos, buscassem debater os problemas que enfrentam em comum no dia a dia e, assim, buscar saídas coletivas. Mais ainda, foram importantes para explicitar a forma violenta e truculenta com a qual o Estado brasileiro lida com os movimentos sociais e populares por meio da Polícia Militar. Por fim, o mais importante, os movimentos foram bem sucedidos em muitos lugares, onde direitos (como o passe- livre estudantil) foram conquistados e aumentos em tarifas foram revogados.
Em Amparo, onde grandes movimentações não são tão comuns, mais de mil pessoas foram às ruas - na maior manifestação política de rua da história da cidade - e também conseguiram conquistas, fazendo com que a atual administração da prefeitura municipal recuasse no projeto que criava a Contribuição para Iluminação Pública (CIP). Isto apenas comprova o que todos já sabíamos: quando nos organizamos, nos mobilizamos e tomamos as ruas é possível transformar a realidade, fazer valer nossos direitos e conquistar outros mais que apontem para a superação das atuais estruturas de injustiças e opressão em nossa sociedade.
Neste ano, o Grito dos Excluídos irá às ruas de todo o país com o tema “Juventude que ousa lutar constrói projeto popular”, chamando a atenção para a importância do engajamento político e social dos jovens para que sejam sujeitos na construção de uma realidade melhor e mais justa.
Em Amparo e na região do Circuito das Águas, um problema enfrentado por todos os que dependem do transporte público intermunicipal (em especial a juventude, que ainda não dirige ou não tem carro para dirigir) é o monopólio exercido pela empresa que presta tal serviço na região. Digo “empresa”, no singular, pois sabemos que as duas empresas de transporte intermunicipal que hoje prestam o serviço surgiram da antiga Rápido Serrano e pertencem a mesma família de coronéis políticos da região.
 Por isto, neste 7 de setembro estaremos panfletando e dialogando com a população de forma a pressionar os órgãos responsáveis para que a concessão dos serviços a esta “empresa” seja revista e novas licitações sejam abertas. Isto se justifica pois, há anos é a mesma família que controla os serviços de transporte intermunicipal, os quais são de péssima qualidade, com poucos horários, preços altos e frota antiga e sucateada. Esta situação prejudica o desenvolvimento da região e cria, inclusive, situações de perigo para aqueles que dependem de tal serviço e para aqueles que trafegam pelas estradas da região.
Mais do que isso, também estaremos chamando a atenção para a questão do transporte público municipal, cuja tarifa hoje se encontra em 2 reais e 50 centavos e a qualidade do serviço lá embaixo. Ônibus velhos e quebrados, falta linhas e horários e função dupla para motoristas (os quais cumprem papel de cobrador e motorista), são alguns dos problemas que fazem parte da realidade do transporte público municipal. Queremos que licitações sejam abertas e que soluções sejam encontradas para baratear a tarifa dos circulares.
Mais do que isso tudo, estaremos nas ruas neste 7 de setembro mostrando que a juventude deve ser sujeito e protagonista no processo de construção de um outro mundo possível. Queremos mais e melhores serviços públicos em geral, melhor trato com o dinheiro público, mais transparência e mais democracia; menos da velha política do “tapinha no ombro” e mais eficiência na gestão pública. Uma sociedade melhor, mais justa e mais democrática não surgirá das instituições políticas tradicionais, mas da mobilização e organização popular nas ruas. Por isto convidamos todas e todos amparenses a somarem nessa luta conosco neste 7 setembro, assim como em outras cidades da região que também estarão na luta contra o monopólio intermunicipal do transporte público. Suprapartidários que somos, não fazemos distinções ou sectarismos de qualquer tipo, queremos e desejamos a participação de todos e todas.

Frente Popular Amparense


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Festival de Inverno de Amparo 2013: pintura da "Mudança Azul"

O Festival de Inverno de Amparo, desde sua concepção, foi idealizado como evento que preencheria o período de recesso escolar de modo que a população tenha oportunidade de curtir com a família e amigos atrações das quais não teria tão fácil acesso em outra oportunidade, seja por questão da distância, seja por questão financeira ou pura falta de oportunidade. Nasceu como um evento democrático, que não restringe condição financeira ou faixa etária, e ainda oferecia segurança e tranquilidade a quem participava. Dos grandes nomes artísticos, aproveitaram os jovens (Pitty, Paralamas do Sucesso, Detonautas, etc.) e os mais velhos (Sérgio Reis, Morais Moreira, Ivan Lins, João Bosco, etc.). Não demorou muito para Amparo atrair grandes contingentes de pessoas de cidades próximas (às vezes não tão próximas assim) nesta época do ano. O Festival, nas suas 12 primeiras edições, teve notória crescente evolução e inegável sucesso.
Neste ano de 2013, notamos mudanças, não essencialmente mudanças de evolução técnica, mas de caráter político. É claro que elas ocorreriam, isso não era dúvida para ninguém, só não sabíamos como e quantas elas seriam. Essas mudanças não são só motivadas pelo simples motivo de dissociação com a imagem criada pela administração anterior, mas pelo fato que a mentalidade e os princípios que norteiam as duas gestões são naturalmente diferentes, analisando-se já de partida as campanhas eleitorais de 2012. E é especificamente nesta edição do evento que podemos perceber o caráter de “vitrine” da personalidade de seus gestores que o Festival de Amparo tem.
O jornal A Tribuna divulgou a seguinte análise (imagem abaixo) dos gastos do festival:




Todas as informações do artigo podem ser conferidas no site da Prefeitura, no link “Transparência Governamental”).
Vamos então a uma análise complementar, que vá além da questão financeira. No site da Transparência, é possível ver que o processo de contratação das bandas, com as datas que estas ocorreram. Em 2012, a despesa dos principais shows são registradas nas seguintes datas:

Jota Quest: 14/05/2012
Ivan Lins: 24/04/2012
Espetáculo “Amadas”: 09/05/2012
Falamansa: 20/06/2012
Casuarina: 09/05/2012

Já em 2013, as datas dos processos são estas:

Toquinho: 11/06/2013
NX Zero: 11/06/2013
João Bosco e Vinícius: 11/06/2013
Emerson Nogueira: 11/06/2013
Thalles: 11/06/2013

Pela comparação das datas desta pequena amostragem já dá para perceber a diferença. O evento ocorre todo ano no começo de julho (mês 7), e todo mundo que já trabalhou alguma vez com algum tipo de evento desse tipo sabe que um mês antes já é tempo de ter definidas e confirmadas as atrações, assim como já é tempo de ter os materiais de divulgações prontos ou quase prontos para serem distribuídos. Em 2012, vemos que estas atrações principais (escolhidas aqui para demonstração justamente por serem mais complicadas em termos de negociação, mas a lógica serve para as apresentações “menores”, tanto em 2012 quanto em 2013) são fechadas até o começo de maio, tendo como ponto fora da curva o Grupo Falamansa, fechado mais perto do evento, provavelmente por ter tido algum problema pontual nesta questão, coisa que só é possível ser resolvida quando se tem tempo de margem para planejamento e rearranjo para qualquer imprevisto. Em 2013, as atrações foram fechadas faltando 3 semanas para o evento, e, curiosamente, todas no mesmo dia (aliás também é curioso que, retomando a nota do jornal A Tribuna, mesmo uma única empresa fornecendo todos os serviços que 4 empresas forneceram em 2012, teve um orçamento 54% maior para menos dias de festival). Houve negociação, pesquisa de mercado ou foi feito tudo às pressas? É por acaso que o festival deste ano ficou bem mais caro ao município? Olhando por este viés, fica fácil explicar a questão que muitos tiveram do preço da atração “João Bosco e Vinícius”, que custou 167 mil aos cofres públicos, enquanto a mesma atração custou em março deste ano custou 71 mil a menos à Prefeitura de Conchal. Artistas “da moda”, como é o caso da dupla, fazem uma quantidade muito grande de shows por mês e costumam fechar o calendário de shows com muitos meses de antecedência, portanto um show fechado 1 mês antes é um show de última hora, custando assim bem mais caro. O show do Toquinho custou 91 mil à Prefeitura, valor este que seria razoável, se não fosse o fato do show ter durado somente 50 minutos, metade da duração de um show normal “headline” do festival. Nos leva a fazer a simples matemática de que, se tivesse ocorrido no “tempo usual”, o show teria então custado 182 mil, improvável para o artista, mesmo que extremamente conhecido e de valor cultural/musical inquestionável, costuma faturar bem menos que os artistas “da moda” (tomando como exemplo a própria dupla João Bosco e Vinícius). Não se está aqui insinuando que o artista deveria ter ficado mais no palco (provavelmente o show dele é com essa duração mesmo, por própria disposição do artista), mas sim a sensação estranha que causa quando comparamos esta permanência com o valor da apresentação. A apresentação do cantor gospel Thalles custou 65 mil, mas com o tempo da sua permanência usado na sua grande maioria para a pregação, ao culto a céu aberto, em detrimento à apresentação musical, mesmo tendo sido ele apresentado na programação como o “cantor gospel Thalles”. Dado o princípio do Estado laico, é correto que certa religião seja assim tão privilegiada em detrimento das outras? Foi dado o mesmo tratamento as outras crenças?

Saindo um pouco desta questão de despesas, analisemos então a organização estrutural do festival. O Festival deste ano não teve atividades nas segundas e terças (para o estudante nesta época, todo dia da semana é “sábado”, portanto o festival já não cumpre tão bem o papel que antes cumpria de entreter o contingente jovem da cidade, oferecendo lazer e segurança aliados). O Festival deste ano deslocou a praça de alimentação, que além de menor (causou o notório aumento de preços) e mal localizada, acabou matando o deslocamento da concha acústica pros outros palcos (dinamismo anterior do festival, que fazia a população circular pela praça e visitar os palcos, dando público às bandas) e ainda piorou o trânsito dos carros ao redor da praça. Fora a situação perigosa que gerou esse palco tapando a entrada da praça pela rua Comendador (perdendo espaço na praça, que antes era usado no lago) junto com a praça de alimentação ao lado que, em caso de alguma briga, o escoamento de pessoas estava muito ruim, podendo ter voado cadeira em alguém. A própria escolha da atração da dupla de sertanejo universitário já traz esse tipo de insegurança (longe aqui de se fazer uma crítica de gênero musical, mas sim do perigo de perder-se o controle da multidão, que poderia ter transformado a praça em uma “micareta”). Somando tudo isso, temos sorte não ter acontecido algo muito grave (apesar de terem ocorridos brigas e incidentes decorrentes desses fatores). As grades formando um corredor no centro da pista em frente ao palco foram novidades, mas o que adiantou se, em shows pequenos no meio da semana, elas só serviram para distanciar ainda mais o público, dado que não havia equipe da organização que retirasse ou, pelo menos, rearranjasse as grades para que isso não ocorresse. Já no show do João Bosco e Vinícius, a Prefeitura não seguiu a determinação do Corpo de Bombeiros quanto à limitação de pessoas, com 12.500 pessoas a mais que o determinado (Fonte: A Tribuna). Assim não adianta ter grade no meio. Tem também o dinheiro gasto em propaganda dos "feitos" da atual gestão, alguns com erros grotescos de português. Não que minha preocupação seja rigorosamente com a gramática, mas sim com esse gasto desnecessário e que ainda demonstra relaxo. O próprio fato desse uso marqueteiro já é motivo de desgosto. Lembra-se no começo do texto que falava do “efeito vitrine” do caráter gestor municipal que o festival tem? Quer se fazer bonito à custa do nosso dinheiro e ainda faz mal isso.

  
                                         
Por último, o exemplo mais representativo de toda a argumentação do texto: a área VIP. Neste vídeo dá para ver, da forma mais revoltante possível, o funcionamento da área dos “amiguinhos da administração”. Ela funcionou durante todo o festival, tendo sido pedido explicações formais por várias pessoas que se demonstraram indignadas com ter de chegar mais cedo para ocupar um lugar perto do palco, enquanto os “bem relacionados” podiam chegar em cima da hora e estar no melhor lugar em pleno espaço público. Não houve explicação formal, só a promessa (antes do último grande show, do Emerson Nogueira) informal e indireta via Facebook, de que isso não aconteceria novamente, o que acabou não se realizando.
Em resumo: Olhando para toda essa extensa análise em torno de um festival de 19 dias, conseguimos construir um pouco da filosofia e das intenções que a “Mudança Azul” propõe. Estamos discutindo só em base de informações que são encontradas e verificadas factualmente. Dá medo quando pensamos naquilo que nos afeta, mas não vemos. E ainda, estamos vendo só na perspectiva do festival, pintura mais descarada da atual política amparense, mas sabemos que já existem problemas em outras esferas (vide processo do MP sobre improbidade administrativa). O grande ponto: se é isso o que vemos, o que não vemos?