terça-feira, 20 de agosto de 2013

Festival de Inverno de Amparo 2013: pintura da "Mudança Azul"

O Festival de Inverno de Amparo, desde sua concepção, foi idealizado como evento que preencheria o período de recesso escolar de modo que a população tenha oportunidade de curtir com a família e amigos atrações das quais não teria tão fácil acesso em outra oportunidade, seja por questão da distância, seja por questão financeira ou pura falta de oportunidade. Nasceu como um evento democrático, que não restringe condição financeira ou faixa etária, e ainda oferecia segurança e tranquilidade a quem participava. Dos grandes nomes artísticos, aproveitaram os jovens (Pitty, Paralamas do Sucesso, Detonautas, etc.) e os mais velhos (Sérgio Reis, Morais Moreira, Ivan Lins, João Bosco, etc.). Não demorou muito para Amparo atrair grandes contingentes de pessoas de cidades próximas (às vezes não tão próximas assim) nesta época do ano. O Festival, nas suas 12 primeiras edições, teve notória crescente evolução e inegável sucesso.
Neste ano de 2013, notamos mudanças, não essencialmente mudanças de evolução técnica, mas de caráter político. É claro que elas ocorreriam, isso não era dúvida para ninguém, só não sabíamos como e quantas elas seriam. Essas mudanças não são só motivadas pelo simples motivo de dissociação com a imagem criada pela administração anterior, mas pelo fato que a mentalidade e os princípios que norteiam as duas gestões são naturalmente diferentes, analisando-se já de partida as campanhas eleitorais de 2012. E é especificamente nesta edição do evento que podemos perceber o caráter de “vitrine” da personalidade de seus gestores que o Festival de Amparo tem.
O jornal A Tribuna divulgou a seguinte análise (imagem abaixo) dos gastos do festival:




Todas as informações do artigo podem ser conferidas no site da Prefeitura, no link “Transparência Governamental”).
Vamos então a uma análise complementar, que vá além da questão financeira. No site da Transparência, é possível ver que o processo de contratação das bandas, com as datas que estas ocorreram. Em 2012, a despesa dos principais shows são registradas nas seguintes datas:

Jota Quest: 14/05/2012
Ivan Lins: 24/04/2012
Espetáculo “Amadas”: 09/05/2012
Falamansa: 20/06/2012
Casuarina: 09/05/2012

Já em 2013, as datas dos processos são estas:

Toquinho: 11/06/2013
NX Zero: 11/06/2013
João Bosco e Vinícius: 11/06/2013
Emerson Nogueira: 11/06/2013
Thalles: 11/06/2013

Pela comparação das datas desta pequena amostragem já dá para perceber a diferença. O evento ocorre todo ano no começo de julho (mês 7), e todo mundo que já trabalhou alguma vez com algum tipo de evento desse tipo sabe que um mês antes já é tempo de ter definidas e confirmadas as atrações, assim como já é tempo de ter os materiais de divulgações prontos ou quase prontos para serem distribuídos. Em 2012, vemos que estas atrações principais (escolhidas aqui para demonstração justamente por serem mais complicadas em termos de negociação, mas a lógica serve para as apresentações “menores”, tanto em 2012 quanto em 2013) são fechadas até o começo de maio, tendo como ponto fora da curva o Grupo Falamansa, fechado mais perto do evento, provavelmente por ter tido algum problema pontual nesta questão, coisa que só é possível ser resolvida quando se tem tempo de margem para planejamento e rearranjo para qualquer imprevisto. Em 2013, as atrações foram fechadas faltando 3 semanas para o evento, e, curiosamente, todas no mesmo dia (aliás também é curioso que, retomando a nota do jornal A Tribuna, mesmo uma única empresa fornecendo todos os serviços que 4 empresas forneceram em 2012, teve um orçamento 54% maior para menos dias de festival). Houve negociação, pesquisa de mercado ou foi feito tudo às pressas? É por acaso que o festival deste ano ficou bem mais caro ao município? Olhando por este viés, fica fácil explicar a questão que muitos tiveram do preço da atração “João Bosco e Vinícius”, que custou 167 mil aos cofres públicos, enquanto a mesma atração custou em março deste ano custou 71 mil a menos à Prefeitura de Conchal. Artistas “da moda”, como é o caso da dupla, fazem uma quantidade muito grande de shows por mês e costumam fechar o calendário de shows com muitos meses de antecedência, portanto um show fechado 1 mês antes é um show de última hora, custando assim bem mais caro. O show do Toquinho custou 91 mil à Prefeitura, valor este que seria razoável, se não fosse o fato do show ter durado somente 50 minutos, metade da duração de um show normal “headline” do festival. Nos leva a fazer a simples matemática de que, se tivesse ocorrido no “tempo usual”, o show teria então custado 182 mil, improvável para o artista, mesmo que extremamente conhecido e de valor cultural/musical inquestionável, costuma faturar bem menos que os artistas “da moda” (tomando como exemplo a própria dupla João Bosco e Vinícius). Não se está aqui insinuando que o artista deveria ter ficado mais no palco (provavelmente o show dele é com essa duração mesmo, por própria disposição do artista), mas sim a sensação estranha que causa quando comparamos esta permanência com o valor da apresentação. A apresentação do cantor gospel Thalles custou 65 mil, mas com o tempo da sua permanência usado na sua grande maioria para a pregação, ao culto a céu aberto, em detrimento à apresentação musical, mesmo tendo sido ele apresentado na programação como o “cantor gospel Thalles”. Dado o princípio do Estado laico, é correto que certa religião seja assim tão privilegiada em detrimento das outras? Foi dado o mesmo tratamento as outras crenças?

Saindo um pouco desta questão de despesas, analisemos então a organização estrutural do festival. O Festival deste ano não teve atividades nas segundas e terças (para o estudante nesta época, todo dia da semana é “sábado”, portanto o festival já não cumpre tão bem o papel que antes cumpria de entreter o contingente jovem da cidade, oferecendo lazer e segurança aliados). O Festival deste ano deslocou a praça de alimentação, que além de menor (causou o notório aumento de preços) e mal localizada, acabou matando o deslocamento da concha acústica pros outros palcos (dinamismo anterior do festival, que fazia a população circular pela praça e visitar os palcos, dando público às bandas) e ainda piorou o trânsito dos carros ao redor da praça. Fora a situação perigosa que gerou esse palco tapando a entrada da praça pela rua Comendador (perdendo espaço na praça, que antes era usado no lago) junto com a praça de alimentação ao lado que, em caso de alguma briga, o escoamento de pessoas estava muito ruim, podendo ter voado cadeira em alguém. A própria escolha da atração da dupla de sertanejo universitário já traz esse tipo de insegurança (longe aqui de se fazer uma crítica de gênero musical, mas sim do perigo de perder-se o controle da multidão, que poderia ter transformado a praça em uma “micareta”). Somando tudo isso, temos sorte não ter acontecido algo muito grave (apesar de terem ocorridos brigas e incidentes decorrentes desses fatores). As grades formando um corredor no centro da pista em frente ao palco foram novidades, mas o que adiantou se, em shows pequenos no meio da semana, elas só serviram para distanciar ainda mais o público, dado que não havia equipe da organização que retirasse ou, pelo menos, rearranjasse as grades para que isso não ocorresse. Já no show do João Bosco e Vinícius, a Prefeitura não seguiu a determinação do Corpo de Bombeiros quanto à limitação de pessoas, com 12.500 pessoas a mais que o determinado (Fonte: A Tribuna). Assim não adianta ter grade no meio. Tem também o dinheiro gasto em propaganda dos "feitos" da atual gestão, alguns com erros grotescos de português. Não que minha preocupação seja rigorosamente com a gramática, mas sim com esse gasto desnecessário e que ainda demonstra relaxo. O próprio fato desse uso marqueteiro já é motivo de desgosto. Lembra-se no começo do texto que falava do “efeito vitrine” do caráter gestor municipal que o festival tem? Quer se fazer bonito à custa do nosso dinheiro e ainda faz mal isso.

  
                                         
Por último, o exemplo mais representativo de toda a argumentação do texto: a área VIP. Neste vídeo dá para ver, da forma mais revoltante possível, o funcionamento da área dos “amiguinhos da administração”. Ela funcionou durante todo o festival, tendo sido pedido explicações formais por várias pessoas que se demonstraram indignadas com ter de chegar mais cedo para ocupar um lugar perto do palco, enquanto os “bem relacionados” podiam chegar em cima da hora e estar no melhor lugar em pleno espaço público. Não houve explicação formal, só a promessa (antes do último grande show, do Emerson Nogueira) informal e indireta via Facebook, de que isso não aconteceria novamente, o que acabou não se realizando.
Em resumo: Olhando para toda essa extensa análise em torno de um festival de 19 dias, conseguimos construir um pouco da filosofia e das intenções que a “Mudança Azul” propõe. Estamos discutindo só em base de informações que são encontradas e verificadas factualmente. Dá medo quando pensamos naquilo que nos afeta, mas não vemos. E ainda, estamos vendo só na perspectiva do festival, pintura mais descarada da atual política amparense, mas sabemos que já existem problemas em outras esferas (vide processo do MP sobre improbidade administrativa). O grande ponto: se é isso o que vemos, o que não vemos?

sábado, 10 de agosto de 2013

Um Adeus a um grande companheiro de esquerda: Pedro Nagao

Por Maria Frô 05/08/2013
Todas as pessoas que conheceram Pedro Nagao falam de sua honradez, sua lisura, seu compromisso com a administração pública, com a coisa pública, com os governos petistas que fizeram história. Embora ele tenha vivido em Santos, infelizmente não tive o prazer de conviver com ele, a não ser no mundo virtual. E foi o Pedro que se aprochegou, via twitter e facebook. Leitor do Maria Frô sempre comentava os posts, compartilhava-os e mesmo quando adoeceu nunca deixou de estimular minha escrita e militância.
Em abril comecei a sentir a falta de sua presença constante e perguntei se ele estava bem, e aí soube do câncer de pulmão. Reproduzo uma de nossas conversas:
Pedro Nagao: “Querida Maria Frô, tenho câncer de pulmão de pequenas células com diagnóstico em final de março. O 1° ciclo de químio no final de março não deu resultado esperado, o tumor cresceu. Estou fazendo exames para ver se dá para entrar com outro esquema de tratamento, leucócitos muito baixo. Não dá para operar e tampouco radioterapia. A saída é aumentar os leucócitos e entrar com novo esquema com aplicação a cada 15 dias. Muito obrigado”
Respondi: desejo todas bênçãos, força, e quando fraquejar estarei aqui, um enorme Beijo
Pedro Nagao: “Muito obrigado. Suas postagens me ajudam a acompanhar o mundo. Vou sair dessa e continuar acompanhando sua luta diária nessa vida de militante pela dignidade. Muito obrigado. Bjos para você e sua linda filhota.
Uma pena que minhas postagens, as postagens da blogosfera suja que ele lia avidamente não foram capazes de vencer esse maldito câncer.
As pessoas não tem ideia de como elas vão ganhando importância na nossa vida. Aliás é só isso que importa: gente. Gente que é decente, que não envergonha a espécie, gente de luta, gente que parte o coração da gente quando parte.
Por isso eu não canso de amar as pessoas e de dizer a elas que as amo com toda a força do meu ser. Enquanto é tempo de dizer.
Há alguns dias andava de coração apertado e mentalmente dizia: como estará o Pedro. Acho que já sabia, mas como havia perdido o Rodrigo Manzano (@senshosp) em não queria lidar com outra dor da perda de gente querida.
Ainda bem que tive tempo de dizer também ao Pedro que o admirava, que torcia por sua cura. Pena que não pude lhe dar um abraço.
Reproduzo aí mais um testemunho sobre o grande cara que foi Pedro Nagao e que tive a sorte de conviver brevemente na rede.
Faleceu ontem a noite Pedro Seitiro Nagao
Por Paulo do PT em seu blog
26/07/2013
Gostaria de fazer um depoimento, sobre o meu primeiro chefe no serviço público, quem me ensinou sobre o que é ser governo do PT e me ensinou muito sobre ser de esquerda.
Foi próximo ao dia 10 de fevereiro de 1997, eu havia acabado meu curso de história em Ijuí há uma semana, o companheiro João Paulo Strapazzon (então chefe de gabinete do Prefeito Fritsch) me telefonou e perguntou se eu ainda estava fazendo economia na Unoesc. Respondi que sim. Então precisamos de alguém para ser assessor de transporte, vá até a rodoviária e fale com Pedro Nagao, um japonês que veio de Santos. Não gostei muito da ideia, afinal eu que militava no PT de Chapecó desde 1989, ser entrevistado por alguém de fora…
Fui até a rodoviária, Nagao me recebeu e me perguntou: o que você acha do governo do PT em Chapecó? Eu respondi: acho que o partido tem que se fortalecer muito, o desafio é grande para o tamanho do PT. Está contratado, mande seus papéis e comece a trabalhar amanhã.
Como eu falei que não tinha experiência me emprestou o livro “Adeus senhor Presidente” de Carlos Matus (que fora ministro de planejamento de Salvador Alliende no Chile e um dos criadores do Planejamento Estratégico Participativo).
Me ensinou sobre transporte coletivo, pois fora o primeiro secretário de transportes da Prefeita Luiza Erondina (SP-1988) e me contou muitas histórias.
Quando foi para a secretaria de administração, me chamou para ajudá-lo, lá descobrimos a “caixa preta” do IPTU de Chapecó. Havia um clima xenofobista na cidade, pediram o impeachment de Fritsch (tudo isso vocês sabem), mas no final daquela batalha o pacto foi a cabeça do secretário Nagao. Eu coloquei o cargo a disposição, junto com mais quatro companheiros (que depois reconsideraram). Fui chamado no gabinete por Gregolin e Cerutti. Não recuei e fui para casa pois não concordava com aquela covardia, daí a frase de Nagao “cargo de confiança é igual fusível, queimou troca”. Mas eu lembrava outra frase dele “você tem que ser muito atencioso para quem está subordinado a ti, mas muito duro com seus superiores”.
Depois de alguns quererem se livrar de mim também, mas como conheciam minha militância e sabiam que eu custava barato (sempre fui quarto escalão da prefeitura, o que hoje seria um pouco mais do que um salário mínimo), finalmente o companheiro Amélio Bedin me convidou para trabalhar no desenvolvimento econômico, no programa Comunidade do Futuro, a quem tbm sou muito grato e onde tbm aprendi muito.
Desde então, Nagao deixou de ser meu chefe e passou a ser um grande amigo e conselheiro. Era com ele que debatia os textos da Articulação de Esquerda, conheci Valter Pomar muito antes de vê-lo pessoalmente, através do Nagao. Foi na casa dele que assumi a coordenação da AE de Chapecó em 2000. Ele foi um dos coordenadores da minha campanha de vereador no mesmo ano. Sempre o tratei como um pai na política e ele a mim como um filho.
Enfim, a última vez que o vi, foi no evento de criação na MS, em outubro de 2011, na Assembleia Legislativa de SP. Veio me dar um abraço e disse que estava acompanhando o nascimento dessa nova tendência, queria conhecer melhor. Pra mim foi uma emoção renovada revê-lo, me deu muita saudade dos velhos tempos de Chapecó e ao mesmo tempo me deu uma grande força para cumprir minha tarefa de ajudar a montar a primeira direção nacional da MS.
Depois dele só encontrei uma outra figura admirável no mesmo nível, que praticamente ocupou o mesmo espaço no coração, que é o companheiro Milton Mendes. Para mim, Nagao e Milton Mendes são meus grandes guias políticos.
Fiz questão de compartilhar esse relato com os companheiros da MS, com o coração apertado, fiz questão de fazer essa homenagem para explicar a todos os que não conheceram quem foi Pedro Nagao para mim, espero que a companheira Cidinha, inteligente, corajosa, batalhadora e sempre persistente nas lutas possa assimilar sua falta e seguir adiante.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Direitos Humanos em Amparo



Vivemos, atualmente, um momento de retrocesso nos movimentos ligados aos direitos humanos. No feminismo, ações como a da banda Pussy Riot (“Revolução da Vagina”), do grupo ucraniano FEMEN ou da Marcha das Vadias (que ocorre em várias cidades do país) são vistas pelo grande público como atentado ao pudor e aos bons costumes, isso quando não são vistas com um viés totalmente distorcido, como se as manifestantes quisessem só uma desculpa para se mostrarem seminuas e/ou escandalizar as massas conservadoras. Enquanto isso, comerciais de TV e novelas, que só fundamentam cada vez mais a teoria machista da mulher como objeto sexual e sexo frágil, não são questionados. Acontece a mesma banalização no movimento LGBTTTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) quando se destaca a Parada Gay, associada mais como uma festa de permissividade generalizada a uma marcha de protesto contra o preconceito e a violência sofrida pelas pessoas de orientações sexuais distintas à heterossexualidade. Já o movimento negro é dado como “luta vencida”, mas na verdade o racismo existe de forma silenciosa dentro da nossa sociedade e ainda impõe barreiras para os negros que desejam ascensão social. As cotas para negros dentro da universidade são vistas com desconfiança e ainda não são amplamente aceitas como medida compensatória do processo histórico que o negro sofreu na sua marginalização da sociedade.
Quebrando falsas premissas
As mulheres ainda sofrem abusos morais e sexuais nas ruas, no ambiente de trabalho e dentro de casa; os pais, as escolas, empregadores e outros ambientes sociais ainda não estão preparados para aceitar e respeitar pessoas homossexuais e os negros continuam vendo as portas de seus sonhos fechadas para eles. Por conta destes problemas, existe a demanda de políticas públicas que atuem na sociedade de modo que possamos proteger os direitos humanos de todas as comunidades e aprender a lidar com as diferenças que fazem parte de nossa vida cotidiana. Nós, da Militância Socialista de Amparo, queremos:

  • Criação de Centros Comunitários de Referência ao Idoso/à Mulher/ao Negro/ao Deficiente.
  • Capacitação dos professores das escolas para um melhor tratamento às crianças que sofrem abusos de seus colegas por apresentarem características diferentes das demais.
  • Organização de cursos, debates, fóruns, festivais, entre outros eventos voltados a educar a população sobre os seus direitos.
  • Criação de uma Delegacia da Mulher, para o atendimento à mulher e ao menor de idade nos casos de violência doméstica, atendimento psicossocial e instrução judicial a respeito de seus direitos frente às adversidades.
  • Criação de um Conselho de Proteção dos Direitos Humanos, cuja atribuição seria monitorar o impacto das políticas públicas na proteção e efetivação dos direitos humanos, como também de investigar as violações de direitos humanos no território do Município

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Vivência social e ocupação de espaços públicos

Uma das reclamações mais recorrentes em Amparo entre os jovens é o fato de não encontrarem espaços para diversão, vivência ou mesmo confraternização ( a famosa "falta do que fazer" nos fins de semana). 
Realmente, a vivência aos fins de semana em nossa cidade ficou restrita aos "bares badalados" (com preços exorbitantes) e a locais privados (como chácaras, clubes particulares, etc.), o que não permite o acesso de muitas pessoas (especialmente do pessoal mais jovem) à vida social da cidade.
Esta situação é uma grande contradição para uma cidade que, relativamente, possui diversos espaços públicos para realização de eventos, atividades, reuniões e encontros (como as praças, jardins, coretos e largos). Ou seja, o que ocorre na cidade é uma verdadeira "privatização" da diversão, do entretenimento e (de forma mais geral) da vida social, pois todas estas realidades só se concretizam ao se pagar para ter acesso a elas em algum local particular. A utilização dos locais públicos para vivência, diversão ou mesmo confraternização é  rara por parte das pessoas e, quado um grupo o faz (principalmente jovens), é taxado de marginal. 
Esta situação de esvaziamento dos espaços públicos gera por consequência a impossibilidade do acesso a outras formas de cultura  (além das tradicionais e moralmente aceitas) e também impede o desenvolvimento de uma outra vivência social, mais inclusiva, tolerante, coletiva e humana, em contraposição a vida social individualista e vaidosa em moda atualmente (o que produz casos de violência, de machismo, homofobia e racismo). 
Por isto, nós defendemos a ocupação dos espaços públicos, seja para fazermos a luta social, debatermos política, realizarmos atividades culturais ou mesmo nos confraternizar. Neste sentido, o Festival de Inverno foi uma ótima iniciativa, trazendo Cultura e diversão para toda a população na Praça Pádua Salles. Porém, não é o suficiente ainda. Queremos uma cadeira na Câmara Municipal para, através dela, organizarmos atividades nos espaços públicos de nossa cidade (como fizemos na apresentação de nossa plataforma eleitoral, realizada no coreto do Jd. Público), propondo atividades político- culturais em parceria com a Prefeitura Municipal e com os movimentos artísticos da cidade. A diversão e a vivência social não precisam ser privatizadas, nós mesmos podemos recriá- las com cultura e abertura de diálogo. 
Uma cidade mais justa e democrática começa com a ocupação de seus espaços por parte de toda sua população, garantindo o sentimento de pertença coletiva daquele local. 


(detalhe: praça Pádua Salles completamente vazia durante a noite)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Essa conversa não é sobre você


Essa conversa não é sobre você

Querido estudante branco, de classe média, que faz cursinho pré-vestibular particular: eu sei que é difícil quando alguém nos faz enxergar nossos próprios privilégios, mas deixa eu tentar mais uma vez.
Eu (e mais uma penca de gente, me arrisco a dizer) não me importo com o quão “difícil” será para você entrar naquele curso de medicina mega concorrido com o qual você sonha, porque, simplesmente, esta conversa não é sobre você.
Eu sei que praticamente todas as conversas deste mundo são sobre você e você está acostumado com isso, então deve ser um baque não ser o centro das atenções. Mas, seja forte! É verdade: nós não estamos falando sobre você.
Quando você chora pelo sonho que agora parece mais distante de se realizar, suas lágrimas não me comovem. Porque o que me comove são as lágrimas daqueles que nascem e crescem sem qualquer perspectiva para alimentar o mesmo sonho que você. É sobre essas pessoas que estamos falando e não sobre você.
Quando você esperneia pelos mil reais gastos todos os meses com a mensalidade do seu cursinho e que agora se revelam “inúteis”, eu não me comovo. Porque o que me comove são as milhares de famílias inteiras que se sustentam durante um mês com metade da quantia gasta em uma dessas mensalidades. É sobre essas pessoas que estamos falando, não sobre você.
Quando você argumenta que, na verdade, seus pais só pagam seu cursinho porque trabalham muito ou porque você ganhou um desconto pelas boas notas que tira, eu não me comovo. Porque o que me comove são as pessoas realmente pobres, que mesmo trabalhando muito mais do que os seus pais, ainda assim não podem dispor de dinheiro nem para comprar material escolar para os filhos, quem dirá uma mensalidade escolar por mais barata que seja. É sobre essas pessoas que estamos falando, não sobre você.
Quando você muito benevolente até admite que alunos pobres tenham alguma vantagem, mas acredita ser racismo conceder cotas para negros ou outros grupos étnicos eusa até os dois negros que você conhecem que conseguiram entrar numa universidade pública sem as cotas, como exemplo de que a questão é puramente econômica e não racial, eu não me comovo. Na verdade, eu sinto uma leve vontade de desistir da raça humana, eu confesso, mas só para manter o estilo do texto eu preciso dizer que o que me comove é olhar para o restante da sala de aula onde esses dois negros que você citou estudam e ver que os outros 48 alunos são brancos. E olhar para as estatísticas que mostram a composição étnica da população brasileira e contatar a abissal diferença dos números. É sobre os negros que não estão nas universidades que estamos falando, não sobre você ou seus amigos.
Se a coisa está tão ruim, que tal propormos uma coisa: troque de lugar com algum aluno de escola pública. Já que não é possível trocar a cor da sua pele, pague, pelo menos, a mensalidade para que ele estude na sua escola e se mude para a dele. Ou, seja a cobaia da sua própria teoria. Já que você acredita que a única ação que deveria ser proposta é melhorar a educação básica: peça para o seu pai investir o dinheiro dele em alguma escola, entre nela gratuitamente junto com alguns outros alunos, estude nela durante 12 anos e então volte a tentar o vestibular. Ah, você não pode esperar tanto tempo? Então, porque os negros e pobres podem esperar até mais, já que todos sabemos que o problema da má qualidade da educação básica no Brasil não é algo que pode ser resolvido de ontem pra hoje?
Então, por favor, reconheça o seu privilégio branco e classe média e tire ele do caminho, porque essa conversa não é sobre você. Já existem espaços demais no mundo que têm a sua figura como estrela 
principal, já passou da hora de mais alguém nesse mundo brilhar.


O assunto é muito polêmico, sobretudo, nesse momento com a extensão das cotas raciais nas Universidades Federais, porém, discuti-lo, também, sobre o ponto de vista daqueles que muitas vezes não tem suas vozes ouvidas é muito importante.  Fazer política é pensar coletivamente, e não somente o quanto isso ou aquilo pode me beneficiar, como andam as discussões dessa temática até agora? será que beneficiando a coletividade, ou cada vez mais excluindo uma grande parcela da população, com falsas declarações de democracia? que democracia é esta que queremos, "a que me convém" ou a que interessa a todos?
Desde a instauração da república no Brasil, após o fim da escravidão, existe uma falsa ideia de nação democrática, nação onde se imperou o chamado "mito da democracia racial", onde o discurso é democrático, porém suas práticas não. Cotas raciais procuram corrigir o que no passado não foi feito, a inclusão dos negros em uma sociedade igualitária,com as mesmas condições de competição dentro da mesma. Não houve naquele momento de abolição políticas  que garantissem essa inclusão, assim, o que vemos hoje é uma tentativa de reescrevermos a história da democracia, marcada pela injustiça e exclusão, em nosso país.


domingo, 19 de agosto de 2012

Contra as drogas não há guerra, há tratamento!

Todos os dias assistimos a tragédias envolvendo as forças repressivas do Estado (vulgarmente conhecida como polícia) e supostos criminosos (na maioria das vezes acusados de envolvimento com o tráfico de drogas), as quais terminam sem mais a
purações. Estas realidades não estão distantes de Amparo. Apesar de acontecer em menor escala e frequência, a violência gerada pela guerra contra às drogas (confrontos entre policiais e traficantes, abusos policiais contra usuários, execução de suspeitos, abandono de dependentes por parte do Estado, etc.) está frequente em nossa cidade, basta ver como são tratados os moradores de rua e os jovens de periferia: abusos em nome de uma guerra que não tem fim. A polícia militar de São Paulo matou mais pessoas em 5 anos do que todas as forças policias dos EUA juntas! Desta forma, a matança de pobres e moradores de periferia continua sob a desculpa da tal guerra contra as drogas. (algumas vezes esta violência respinga na elite e então é noticiada na grande mídia).
Acreditamos que contra as drogas não há guerra, mas sim tratamento. O problema das drogas não se resolve com polícia e cadeia (como vem ocorrendo contra muitos usuários) mas sim com políticas públicas que ofereçam ao dependente a possibilidade de se recuperar. Mais do que isso, a questão das drogas passa pela garantia de dignidade e de um futuro com educação, cultura, esporte e emprego descentes para a juventude. Deixe de lado seu moralismo e entenda: o problema das drogas é caso de saúde pública e não de polícia! 






quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Tanta gente sem casa e tanta casa sem gente!

A falta de moradia é um dos problemas mais sérios de nosso país e um dos que mais ferem a dignidade das pessoas: não ter casa para morar é mais uma das violências produzidas pelo sistema do Capital.
O grande problema é que moradia não é vista como um direito social básico pelo Mercado, mas é vista como uma "mercadoria", um produto que, através de sua comercialização, produz lucros para grandes construtoras e para grandes proprietários urbanos. Desta forma, a distribuição de casas não é feita de acordo com a necessidade dos seres humanos, mas de acordo com os interesses econômicos do Mercado. Daí decorre a chamada "especulação imobiliária": controlando o mercado imobiliário, os grandes proprietários podem cobrar preços abusivos por seus imó
veis, servindo até como mecanismo para afastar os pobres de determinada região.

Para resolver este problema não defendemos simplesmente a construção de casas populares, pois esta é meramente um medida compensatória, que não ataca as causas do problema e sim suas consequências. Precisamos mudar estas estruturas que geram "tanta gente sem casa e tanta casa sem gente", ou seja, precisamos de uma reforma urbana para forçar a propriedade privada a exercer sua função social e expropriar imóveis inutilizados para distribuí-los aos que precisam de um lugar pra morar. Neste sentido, o Estatuto das Cidades é um grande avanço e vamos lutar para implementá-lo em sua plenitude em Amparo, como um início de reforma urbana.
Em última instância, a saída definitiva para estes e outros problemas enfrentados pelos trabalhadores é por um fim ao mercado capitalista e construir uma sociedade sem classes sociais: justa, igualitária e democrática.